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quinta-feira - 21 de julho de 2022

TBT da Corrupção: “Vocês tão lembrados?”, pergunta Lula sobre obras superfaturas na gestão de Eduardo Braga

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TBT da Corrupção: "Vocês tão lembrados?", pergunta Lula sobre obras superfaturas na gestão de Eduardo Braga

Amazonas –  Após consagrarem apoio eleitoral recíproco e “passarem a perna” na senadora Simone Tebet (MDB), o ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um vídeo postado pelo senador Eduardo Braga (MDB) com diversos elogios e troca de afagos. No entanto, ao tentar promover o aliado, Lula acabou recordando ao público os escândalos de corrupção de um passado recente ao mencionar obras como Arena da Amazônia, Ponte Rio Negro, gasoduto Coari/Manaus e Linhão do Tucuruí-Macapá-Manaus.

Veja vídeo:

Segundo Lula, essas obras foram projetos realizados e entregues tanto por ele quanto por Eduardo Braga, durante os oito anos em que o petista esteve no comando do País e o emedebista comandava o Estado. No entanto, Lula nem estava no poder essa época, quando foram inauguradas a Arena da Amazônia e Ponte Rio Negro, mas a sua fantoche Dilma Rousseff. Além disso, as obras mencionadas por Lula foram alvo de investigações por superfaturamento e corrupção.

‘Golden Gate’ do Amazonas

A Ponte do Rio Negro, “Ponte Bilionária” ou ainda “Golden Gate do Amazonas”, como é conhecida sarcasticamente pelo povo amazonense, teve contrato celebrado em 2007, na gestão de Eduardo Braga, entre o Estado e o Consórcio Camargo Corrêa e a Construbase, com orçamento inicial de R$ 575 milhões. No entanto, a obra teve um custo total de R$ 1,099 bilhão ao ser entregue em 2011, praticamente o dobro do preço inicial. Só para se ter ideia do tamanho da roubalheira, esse valor, na época, daria para pavimentar cerca de 90% da BR-319.

Bônus: Monumento “feio” da Ponte e Monotrilho ‘do mundo da fantasia’

Não há como falar da Ponte do Rio Negro sem lembrar do monumento dedicado à obra, visto pelos moradores do bairro da Compensa como uma estrutura ‘feia e sem sentido’, e que piorou com o passar dos anos ao ficar abandonada. A obra orçada em 5,54 milhões foi inaugurada em 2010. Após apontar superfaturamento, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) condenou a ex-secretária de Estado de Infraestrutura do Governo Braga, Waldívia Alencar, a devolver R$ 2,1 milhões aos cofres públicos. Além disso, Waldívia também está sendo cobrada a devolver  R$ 6,9 milhões ao cofres públicos pelo projeto do Monotrilho que nunca saiu do papel. 

Arena ‘da Fartura’

Já o projeto da Arena da Amazônia, foi anunciado em 2009 e serviu como a principal propaganda de Eduardo Braga para que Manaus se mostrasse como uma das subsedes da Copa do mundo em 2014. Com o orçamento inicial de R$ 499,5 milhões, o valor acabou saltando para R$811,5 milhões, o que representa um acréscimo de 62,4%. A obra também foi alvo de investigação e se tornou um elefante branco no estado, com a atual gestão tirando leite de pedra para engajá-la no futebol amazonense e nacional, ou aproveitando a estrutura para realização de shows.

Lava Jato

O senador senador Eduardo Braga chegou, inclusive, a ser investigado em inquérito que apontou indícios de corrupção passiva, ativa, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, sendo citado na delação premiada do ex-executivo da Camargo Corrêa e da Odebrecht, Arnaldo Cumplido. Segundo o delator, Braga recebeu propina de R$ 1 milhão relativo à construção da Ponte do Rio Negro.

O inquérito foi arquivado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Braga também foi acusado por ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez, investigados na Operação Lava Jato, que revelaram em delação premiada que pagaram propina a ele e a Omar Aziz (PSD), ambos atualmente senadores.

Segundo os delatores, havia uma combinação — que ocorreu durante os oito anos do governo Braga — de pagamento de propina de 10% sobre o valor de cada obra da empreiteira.

O ex-executivo Clóvis Primo disse aos procuradores da Lava Jato que Braga fazia ameaças se houvesse atraso no pagamento da propina. Braga teria recebido entre R$ 20 e R$ 30 milhões, segundo estimativa das investigações.

Impunidade

Por determinação do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, contrariando a Procuradora-Geral da República, as investigações saíram das mãos da Justiça Federal e foram remetidas para a Justiça do Estado do Amazonas. Sobre o assunto, Braga diz ter “convicção absoluta” de que o inquérito da Arena da Amazônia será arquivado.

Gasoduto Coari-Manaus

Outra obra citada por Lula é o Gasoduto Coari/Manaus, construído nos dois governos dele (2003-2010) e Eduardo Braga foi orçada em R$ 666,7 milhões, mas acabou recebendo aditivos que a levaram para um total de R$ 4,5 bilhões, quase sete vezes mais do que o planejado.

Ela é alvo de investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a partir de apurações iniciadas pela operação Lava Jato. O gasoduto passou a ser alvo de investigação a partir de 26 irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Até hoje, mais de 13 anos depois de inaugurado, não leva gás a residências de Manaus, não serve como combustível para veículos, e consumiu cerca de R$ 2,5 bilhões do BNDES com indícios de corrupção.

Fraudes nas obras do gasoduto do Amazonas já levaram a operação Lava Jato a prender, em junho de 2017, um ex-gerente da Petrobrás por R$ 48 milhões em propina. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a obra do gasoduto é “comprovadamente envolvida” em fraudes.

Linhão Tucuruí-Macapá-Manaus

Em relação ao Linhão de Tucuruí, vale ressaltar que a obra a que Lula se refere, é ligada a Hidrelétrica de Belo Monte, em Tucuruí, no Pará. Seu orçamento inicial era de R$ 16 bilhões, as ela foi entregue com o custo de R$ 48 bilhões, o triplo do valor previsto ! Segundo apurou a Lava Jato, a usina rendeu R$ 150 milhões em propina, um valor pequeno comparado ao estrago social estimado em R$ 1 bilhão.

Roubalheira

Os valores dessas obras superfaturadas, mesmo se desconsideramos os aditivos de mercado que poderiam ter sido manobrados, ultrapassam R$ 3,5 bilhões. Para se ter uma ideia, esse valor seria suficiente para entregar mais de 40 mil casas populares para famílias de baixa renda ou pagar um auxílio mensal de R$ 600 para 450 mil famílias do Amazonas por um ano.

 

 

Com auxílio de informações via Petroladrões –Ivo Patarra; Direto ao Ponto;

 

 

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