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Vigilantes estão com salários atrasados há 8 meses enquanto dono da Locati ostenta em viagens internacionais; veja

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Vigilantes estão com salários atrasados há 8 meses enquanto dono da Locati ostenta em viagens internacionais; veja

Manaus – Os vigilantes da Locati Segurança Patrimonial Ltda, uma das principais empresas de segurança privada em Manaus, estão há oito meses sem receber seus salários. De acordo com Adolfo Torres, presidente em exercício do Sindicato dos Vigilantes de Manaus (Sindevam), além dos salários, a empresa também deixou de pagar benefícios essenciais como vale-transporte, vale-alimentação e o 13° salário.

A Locati Segurança Patrimonial está localizada na Rua Rio Mutuzinho, bairro Armando Mendes, zona Leste de Manaus. Com um capital social de R$ 3 milhões, a empresa tem como sócios Antônio Célio Feitoza Pedrosa e Onísia Alves Carioca Pedrosa.

Apesar de várias tentativas de negociação entre o sindicato e a Locati, a empresa alega falta de recursos financeiros para honrar seus compromissos com os funcionários. “Estamos tentando resolver essa situação há meses, mas a empresa insiste que não tem dinheiro para pagar os trabalhadores,” afirmou Adolfo Torres.

No entanto, fotos nas redes sociais mostram Antônio Célio emviagens para outros países, ostentando um vida financeira que não justificaria a falta de dinheiro ou atraso do pagamento dos funcionários. Veja:

A empresa presta serviços terceirizados para importantes órgãos do Governo do Amazonas, incluindo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). No entanto, apesar dos contratos lucrativos, os funcionários continuam sem receber seus pagamentos.

A situação dos vigilantes da Locati já resultou em diversas denúncias e protestos. Revoltados com a falta de pagamento e a violação de seus direitos trabalhistas, os funcionários realizaram manifestações que chegaram aos tribunais. Segundo informações do Portal da Transparência do Governo do Amazonas, a Locati recebeu R$ 48,2 milhões dos cofres públicos entre 2022 e 2023, mas os trabalhadores ainda estão sem pagamento. Confira dados do Portal da Transparência:

Impacto na Vida dos Trabalhadores

A falta de pagamento tem causado graves problemas para os vigilantes e suas famílias. Muitos estão enfrentando dificuldades para sustentar suas casas, pagar contas básicas e manter seus filhos na escola. “Estamos sem saber o que fazer. Trabalhamos duro para garantir a segurança de todos, mas quem garante a nossa?” desabafou um dos vigilantes afetados.

Contrato com a CMM

Em dezembro de 2023, Câmara Municipal de Manaus (CMM) oficializou a homologação do polêmico Pregão Presencial nº 019/2023, destinando vultosos recursos à Engetask Comércio e Serviços de Materiais de Construção LTDA, registrada sob o CNPJ nº 08.233.811/0001-44. O montante acordado, atingindo a marca de R$ 840 mil anuais, destina-se à manutenção preventiva, corretiva e higienização de condicionadores de ar Split, sistemas de exaustão, e equipamentos de refrigeração em geral.

A controvérsia, no entanto, repousa na relação direta entre o gerente de manutenção predial da CMM, Carlos André Silva, e os sócios da Engetask, Antônio Célio Feitoza Pedrosa e Onisia Alves Carioca Pedrosa, que, por coincidência, são seus tios. O evidente conflito de interesses emerge com a participação ativa de Carlos André na licitação que acabou beneficiando os membros de sua própria família.

As suspeitas aumentam quando se constata que a Engetask não atendeu integralmente aos requisitos técnicos estipulados no edital, não fornecendo a quantidade de equipamentos especificados. Além disso, a lista de materiais e equipamentos na composição da proposta apresenta irregularidades, somando-se a uma planilha de formação de custos que se revela incorreta devido a discrepâncias na Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE).

A situação se agrava com a constatação de que o balanço patrimonial, devidamente registrado na Junta Comercial do Amazonas (Jucea), ostenta uma data de dezembro. Este dado é particularmente alarmante, dado que o registro ocorreu poucos dias antes do Pregão, infringindo o prazo estipulado no Edital, que exige a regularização até 30 de abril ou o último dia de maio. Tais indícios apontam para sérias irregularidades, sugerindo questionáveis práticas de inidoneidade financeira e contábil pela Engetask.

O processo licitatório, que contou com a participação de três empresas, suscitou cinco pontos de contestação nos recursos apresentados. No entanto, a comissão de licitação optou por responder apenas a dois desses pontos, culminando na homologação favorável à Engetask. É relevante observar que a empresa em questão tem sede no bairro Armando Mendes.

A situação está sendo acompanhada de perto pelas autoridades, e o Sindevam continua buscando soluções para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. A sociedade aguarda uma resolução justa para os vigilantes, que há meses enfrentam essa grave crise financeira.


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