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Militantes ambientalistas travam guerra contra o desenvolvimento de Autazes e o Projeto Potássio

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Militantes ambientalistas travam guerra contra o desenvolvimento de Autazes e o Projeto Potássio

Amazonas – O processo de licenciamento para o complexo de mineração de potássio em Autazes, no Amazonas, avança. No dia 29 de abril, o governo estadual entregou três licenças: duas para perfuração de poços de água potável e uma para a instalação de um porto fluvial na Vila de Urucurituba. Em 8 de abril, foi concedida a primeira licença para a lavra subterrânea, após anos de negociações e resistência de grupos ambientalistas.

O potássio é crucial para a produção de fertilizantes agrícolas, e o Brasil depende majoritariamente da importação desse insumo, especialmente da Rússia. A guerra na Ucrânia evidenciou essa vulnerabilidade estratégica, com os preços do potássio triplicando. Aumentar a produção interna de potássio é visto como uma solução para reduzir essa dependência e mitigar riscos geopolíticos.

Grupos ambientalistas, como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), se opõem ao projeto em Autazes, alegando ameaças ao povo indígena Mura e ao meio ambiente. Eles descrevem a atuação da Potássio do Brasil como uma “guerra do potássio”, retratando esforços de diálogo e desenvolvimento social como assédio.

O CIMI argumenta que a concessão do licenciamento ambiental pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) foi parcial e fora de sua competência. A “Terra Indígena Soares”, supostamente afetada pelo projeto, ainda não está demarcada, e o processo de consulta prévia está judicialmente embargado.

Benefícios econômicos e tecnológicos

A exploração de potássio em Autazes poderia beneficiar a população local, com a previsão de que 80% da mão de obra seja formada por trabalhadores da região. O projeto também promete aumentar a receita tributária: R$ 2 bilhões para Autazes, R$ 4 bilhões para o estado do Amazonas e R$ 13 bilhões para o governo federal.

Além disso, o desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade podem ser favorecidos, com impactos econômicos positivos na demanda por serviços de empresas locais e no bem-estar da comunidade indígena.

Consulta prévia e participação indígena

O processo de consulta com os indígenas Mura tem sido ponto de controvérsia. Em setembro de 2023, lideranças Mura entregaram um relatório ao governo do Amazonas, concordando com a mineração. O governador destacou a importância dessa consulta, e o dirigente indígena José Cláudio Mura apoiou o desenvolvimento econômico de Autazes.

A Potássio do Brasil propôs levar lideranças Mura ao Canadá para conhecer a experiência de indígenas canadenses com a mineração de potássio, visando promover um diálogo mais informado.


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