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“A mulher pode estar onde ela quiser, e eu queria estar nesse lugar”, diz primeira mulher a assumir o CPM

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Amazonas – “Eu percebi que tinha essa questão da liderança, e comecei a sonhar. Batalhei diuturnamente para poder chegar a esse patamar”, é o que conta a tenente-coronel Otacicleide Pereira, 48, ao assumir o comando de Policiamento Metropolitano de Manaus (CPM), até então chefiado apenas por homens. A oficial assume o lugar do coronel Bruno Azevedo que agora ocupa a Chefia do Estado Maior da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

Foi o trabalho e dedicação que levaram a tenente-coronel a fazer história na Polícia Militar do estado. Em 1999, aos 24 anos e recém-formada em farmácia, a oficial viu em um jornal a notícia de um concurso público para PM. Naquele momento, a vida da farmacêutica mudou ao se inscrever e ser aprovada. Com 23 anos de serviços prestados à PMAM, a militar já ocupou diversas funções dentro da corporação.

Na PM desde 2000, a coronel já passou pela Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), foi subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Humaitá e da 15ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), atuou também como diretora do Colégio Militar de Manaus até chegar ao Comando de Policiamento da Área Sul (CPA sul), há dois anos, onde também foi a primeira mulher a assumir a instituição.

“Em nenhum momento me desmereceram por eu ser mulher. Os outros oficiais ombrearam comigo, e a gente fez um CPA sul vencedor, saímos de altos índices de ocorrência e tivemos redução de furtos, roubos e diminuição até o número de homicídios”, relembra a tenente-coronel.

Ao falar sobre a simbologia do cargo ser ocupado por uma mulher, a militar acredita que o comprometimento e o exemplo são as características mais importantes para comandar um órgão. Para ela, a experiência construída em sua carreira deve contribuir diretamente para as ações estratégicas exigidas pela função no CPM, que conta com um efetivo de cerca de 2,5 mil policiais, responsável pelo policiamento ostensivo na região metropolitana de Manaus.

“Eu acho que a gente só pode cobrar o que a gente pode fazer. Então, eu só cobro o que eu consigo fazer. Hoje eu sei o que é estar no interior do Amazonas. Eu sei o que é sair de uma cidade para outra no caminhão de carona. Acho que todos os comandantes têm que vivenciar um pouco dessas experiências, uma responsabilidade, aí você pode cobrar de uma terceira pessoa aquilo que você já fez”, enfatiza a oficial.

A tenente-coronel enxerga o novo desafio como valorização profissional e orgulho após os anos de dedicação, e acredita que o gênero não deve ser um fator limitante no avanço da carreira.

“A mulher pode ser o que ela quiser. Se ela quiser ser dona de casa, ela pode ser a melhor dona de casa, e em qualquer função, medicina, direito. Eu acho que todos nós temos que fazer a diferença no nosso meio. Eu gosto de fazer a diferença, vou lá e coloco a minha personalidade naquele local. No entanto, a gente tem que ter responsabilidade sobre aquilo que nós queremos. A gente tem que batalhar e persistir, não desistir”, ressaltou a comandante.

 


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