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Duhigó é a primeira indígena da história do Amazonas na Bienal de Veneza, na Itália

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Brasil – Na semana em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas (19/04), a artista amazonense Duhigó, do povo Yepá Mahsã (Tukano), se consagra no cenário internacional como artista visual, com 3 obras de sua autoria na maior e mais antiga bienal de arte do planeta, “A Bienal de Veneza”. Sua arte representa a memória e a ancestralidade dos povos indígenas que formaram a Amazônia. A abertura ao público acontece neste sábado (20) e vai até 24 de novembro deste ano, na cidade de Veneza, Itália.

Duhigó já é uma artista consagrada com o prêmio nacional Funarte “Mestras e Mestres das Artes 2023”, e agora, ganha projeção internacional. A artista recebeu convite de Juan Carlos Cordero Nina, vice-ministro da Cultura da Bolívia e comissário do Pavilhão da Bolívia para participar da exposição intitulada “Olhando para o futuro-passado, seguimos em frente”, curada pelo Ministério da Cultura do Estado Plurinacional da Bolívia. A mostra reúne artistas de diversas nacionalidades dos países amazônicos e faz parte dos pavilhões nacionais que compõem a 60ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, intitulada Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere (Estrangeiros por toda parte), sob curadoria do brasileiro e diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Adriano Pedrosa e organização da La Biennale di Venezia.

Durante a pré-abertura, nos dias 17, 18 e 19 de abril, Duhigó destacou sua trajetória e orgulho de ser uma das artistas amazonenses na Bienal e a primeira indígena do Amazonas a ocupar esse espaço internacional. “Estou muito feliz com esse reconhecimento. A minha história não foi fácil e ainda é difícil o indígena ocupar espaços de arte no Amazonas, no Brasil e fora dele. Mas agora meus trabalhos estão na Bienal do mundo e só tenho a agradecer por todos que me ajudaram a chegar até aqui. As pessoas que apreciam meus trabalhos e valorizaram meus trabalhos no passado para eu chegar até aqui. Muito obrigada a todos. Estou muito feliz”, disse.

A artista participa na Bienal de Veneza com três trabalhos seus expostos no Pavilhão boliviano e tratam deste “olhar para o passado” com sentimento de “seguir em frente”. A primeira obra chamada Tacapé, em acrílica sobre tela, cedida pelo colecionador de arte amazonense Bruno Tuma Serra Pinto. A obra apresenta uma espécie de tacape recolhido há mais de 200 anos pelo viajante português Alexandre Rodrigues Ferreira, na Amazônia. Os grafismos aplicados apresentam a relação entre o homem e a natureza e as relações de poder do colonizador em tensão com os povos indígenas contra a força estrangeira devastadora.

A segunda obra é a Maloca Tuyuka II, em acrílica sobre tela, cedida pela Manaus Amazônia Galeria de Arte, representante da artista. “Participamos com toda nossa estrutura para colocar o Amazonas, por meio da arte de Duhigó, neste evento icônico e consagrá-la no cenário internacional. Este é um marco na história da arte amazonense e amazônica”, afirma Carlysson Sena, fundador da Manaus Amazônia. A obra apresenta os Tuyukas, grupo indígena próximo aos Tukano, etnia do artista, e em sua segunda versão apresenta os Tuyukas e gráfica corporal em frente à maloca.

E, a última obra da trilogia de Duhigó, intitulada Duhporocacé (coisa do passado, na língua Tukano), cedida pela artista, resgata as memórias da infância na artista na aldeia de São Francisco, às margens do rio Tiquié, na região de Pari Cachoeira, hoje município de São Gabriel da Cachoeira, noroeste do Estado do Amazonas. A obra apresenta a maloca de sua família do povo Yepá Mahsã, Tukano. À frente da maloca estão seu pai Arkitó e sua mãe Uaró. Ao lado de sua mãe está Duhigó e suas irmãs Jacinta e Meire. Ao lado do pai está Doéthiro, o primogênito, seguido pelos irmãos João Bosco, Bartolomeu e Tiago, nomes os quais a artista não se lembra mais como são na língua Tukano.

Participam também da Bienal de Veneza, na 60ª Exposição Internacional de Arte, intitulada Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere (Estrangeiros por toda parte), os artistas Manauara Clandestina (1992), no Núcleo Contemporâneo da exposição e Denilson Baniwa (1984), como um dos curadores do Pavilhão Brasileiro, na mostra “Ka’a Pûera: somos pássaros ambulantes”, que traz obras dos artistas Glicéria Tupinambá com a Comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro e Olivença, na Bahia, Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó.


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